quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Chuva...

Os dias passam. As horas avançam no relógio dependurado na parede desprovida de sentimentos.
A solidão perdura. Permanece imóvel, ininterrupta, indestrutível. O mundo envolvente transforma-se, pouco a pouco, num espaço demasiado grande.
Caminho através das ruelas, pressentindo-as escurecidas. Caminho lentamente, sob grossas e geladas gotas de água que se despenham, vindas das nuvens que preenchem o céu com cor de cinza, como nódoas.
Procuro em cada recanto. Procuro o timbre de uma voz não incógnita, o som de uma gargalhada já antes ouvida. Procuro uma mão conhecida, estendida na minha direção, a fim de ajudar-me a levantar quando escorrego no frágil espelho de água que os contínuos farrapos de chuva foram formando no solo do meu trajeto. Nada descubro, nada vem ao meu encontro.
Levanto-me, a custo, e caminho de novo, mantendo a cabeça baixa e os olhos pregados nos brancos paralelepípedos da calçada.  

1 comentário:

  1. Amiga =D

    os textos que aqui tens são interessantes e deixam-nos a pensar sobre certas coisas da vida. Espero que continues sempre a lutar, como tens feito até aqui.

    Um grande abraço


    Bruna Abrantes

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